24 de outubro, 2026 16:07

Centro Espírita Caboclo Sete Estrelas

mantém viva a ancestralidade em Pompeia (SP)

Há 23 anos, o Centro Espírita Caboclo Sete Estrelas, localizado na cidade de Pompeia (SP), segue firme na preservação das tradições afro-brasileiras herdadas da yalorixá Laudelina. Após seu falecimento, coube ao filho Amadeu e à sua esposa Seniva Corrêa a missão de manter acesa a chama da fé e da ancestralidade.

Sob o comando do casal, hoje na segunda geração de liderança espiritual, o Centro realiza giras regulares todas as segundas-feiras, com devoção, fé e respeito aos princípios que sustentam essa rica herança espiritual. Uma das mais marcantes manifestações dessa tradição é a Gira em louvor aos Pretos Velhos, um momento de profunda conexão com os ancestrais, sabedoria e cura.

Em um gesto de respeito e irmandade, os membros do Centro Estrela D’Alva II, que atualmente está sob a condução da Babá Juliana Chagas de Oxum, representante da terceira geração espiritual, se deslocaram até Pompeia para prestar homenagens e integrar-se à gira especial. Foi uma noite marcada pela espiritualidade, pelo acolhimento e pela energia vibrante das entidades.

Durante a gira, passaram-se pelas linhas dos Boiadeiros, Baianos, Ogum, Cosme e Damião, Xangô e os Pretos Velhos, em um trabalho espiritual intenso e harmonioso. A força da fé foi acompanhada pelas delícias da tradição: canjica, bolo de fubá, vinho, café — alimentos que aquecem o corpo e fortalecem o espírito.

O ponto alto da gira foi a sessão de axé conduzida com maestria pelos atabaques de Cauê Arnão, nosso Ogã, que, com seus toques sagrados e pontos cantados, emocionou a todos e despertou memórias afetivas profundas. Memórias essas que nos conectam com os avós, com os terreiros antigos, e até mesmo com os tempos das senzalas, onde a resistência se manifestava através do sincretismo religioso.

Ao final dos trabalhos espirituais, a confraternização se deu em volta da mesa com a tradicional feijoada, símbolo de gratidão, fartura e união. Mais do que uma celebração, o encontro reafirmou o compromisso de manter viva a religiosidade afro-brasileira, o respeito às raízes e a importância de cultivar a memória de nossos antepassados.

Manter essa memória viva é manter viva a nossa história, nossa cultura e nossa fé.

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