3 de outubro, 2026 18:55

Águas calmas são profundas.

  O mar sempre me fascinou.

O som das ondas quebrando na costa, as pequenas ondinhas que continuavam e se juntavam com a areia na praia que me lembravam leite achocolatado. Até mesmo os tsunamis me encantavam. Como pode a água ter tanta força assim? Ela está calma, e quando percebemos, varre uma cidade inteira e destrói tudo que vê pela frente. A água é capaz de feitos absurdos.
  É engraçado imaginar que somos 70% água, e que se a Lua consegue afetar grande parte do planeta azul em que vivemos, o que impede de fazer o mesmo conosco? Bom, isso é um debate para outras pessoas, com um entendimento especializado.
  De qualquer forma, ainda acho o mar algo magnífico. Nada na terra pode se comparar a força e os mistérios que lá se encontram.
  Há a Fossa das Marianas, o lugar mais profundo do oceano. Há também piscinas naturais, córregos, rios e riachos. Da mesma forma que, em nossa mente, temos nossos pensamentos mais íntimos e profundos, que apenas nós mesmos conhecemos, e outros que mostramos ao mundo, para apreciar ou até mesmo para que os outros aprendam com as nossas qualidades questionáveis. Um rio poluído segue sendo um rio.
  Certa vez, observando uma pequena ilha isolada da costa de Santa Catarina, avistei outra mais à fundo, e se fizesse um pouco mais de força, dava para ver um navio de carga passando. Ninguém na praia ia muito além de onde dava pé, mesmo que houvesse uma ilha há alguns metros. Seria necessário nadar, mas ainda assim era acessível.
  É muito comum termos medo do desconhecido, e chega a ser surpreendente como conhecemos mais do próprio espaço sideral que o mar, que está tão perto. De certa forma, o mar realmente chega a ser mais misterioso, e se pensarmos bem, a curiosidade e o medo andam de mãos dadas.
  Tem gente que surta se alguma coisa passa pelo seu pé na água. Claro, ao mesmo tempo que pode ser, sim, uma água-viva, pode ser uma alga ou uma sacola, que é bem mais provável, infelizmente. E imaginar que, mais à fundo, há criaturas tão majestosas e grandiosas, mas ao mesmo tempo, desconhecidas.
  Lembro de ter visto vários vídeos de pescadores que, em algum momento da filmagem, baleias davam um show com suas caudas ou jatos d’água. E em nenhum momento era possível vê-las, até que ficassem distantes o suficiente e se faziam aparecer. E olha que elas são animais gigantescos.
  Ao analisar essas informações sobre o mar e seus derivados, percebi o quão similar é com o que temos em nossas vidas, e que não percebemos por pura distração.
  Vemos nosso nariz toda hora, mas nosso cérebro prefere escondê-lo, e é da mesma forma com as coisas da vida.
  Quantos recursos deixamos de aproveitar da ilha em que estamos porque não tentamos ver, e por isso desejamos chegar na outra ilha, e quem sabe, acompanhar as cargas do navio e ser levados para onde o vento quiser. Contanto que a maré não abaixe, talvez esteja tudo bem.
  Presos na imensidão do desconhecido e em nossas ambições, não percebemos a natureza que nos abraça.
  A Lua reflete a luz do Sol, mas por que não refletimos a luz que nos é dada?
  Os recursos ainda estão na ilha.
  Não permita que eles só sejam vistos quando já não estão mais a seu alcance. Que possamos aproveitar o balanço do barco quando as baleias passam, e não apenas a visão de suas caudas quebrando a água. A vida e seus recursos estão aqui, em baixo de nossos narizes. Só espero que nossos cérebros nos deixe apreciá-las, a partir de agora.
  Águas calmas são profundas.

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