3 de outubro, 2026 18:40

Caso me perguntassem de onde sou, eu teria dificuldade em responder. Pode parecer uma pergunta tão simples, mas no fim do dia será que realmente sabemos a resposta? Os rótulos nos perseguem desde o momento que saímos do ventre de nossas mães, e acredito que a resposta para a pergunta que iniciei o texto esteja nela.
  Algumas crianças têm dificuldade em se comunicar pois o ambiente familiar muitas vezes não é tão favorável à sua autoconfiança, mas independente da idade, parece que sempre estamos em busca de algo a mais, um alvo, mas é tão difícil encontrar respostas para a vida. Se me perguntarem o que é a vida, provavelmente inventaria uma resposta que pareça super profunda e evoluída, mas admito que nos últimos dias estou tentando vê-la com menos complexidade.
  Talvez a vida seja só uma constante evolução da gente, um ciclo migratório de pássaros. Só não se esqueçam que nem sempre evoluir significa progredir.
  Há quem diga que ainda sou novo, mas em meus poucos anos de existência já tive todo tipo de experiência. Infelizmente a maior parte delas foram dolorosas e me deixaram cicatrizes, mas essas marcas são o meu mapa; o nosso mapa. Para quem quiser nos conhecer, basta seguir o caminho que nossas cicatrizes fazem e nos encontrarão, e isso vale para nós mesmos.
  Passei anos com medo do desconhecido; pensar em sair da pequena cidade onde cresci era inviável. Eu iria me debater e dizer que não queria ir embora porque ficaria sem algumas pessoas que eram importantes para mim, mas descobri que o caminho para casa é solitário e nem sempre o nosso vai se cruzar com os de quem amamos. As despedidas fazem parte da única certeza da vida, de certa forma.
  Se não tomarmos cuidado, iremos carregar a bagagem de quem gostaríamos que nos acompanhasse, mesmo que nosso destino não seja o mesmo e o peso só vai ser sobre nós.
  Às vezes me pego olhando para cima e como se eu esperasse que alguém me respondesse, me pergunto se estamos realmente sob o mesmo o céu.
  As nuvens amareladas pelo Sol no fim da tarde no nosso infinito quadro azul, as estrelas na escuridão, será que estamos as vendo todos juntos? Será que se olharem em nossos olhos, verão realmente o que temos dentro de nós?
  Se ficarmos estagnados jamais sairemos do mesmo lugar, e a incerteza do que viria em seguir nos assola, nos assusta.
  Antes, não me encontrava. Hoje sei onde estou, e sei que é meu lar; o meu lugar. Porém, caso um dia a vida exija de mim mais um novo destino, não vou mais fugir.
  Nosso lugar é onde nos sentimos acolhidos, independente da situação. Não é sobre estar sempre seguro, pois tempestades sempre virão, mas é sobre se teremos para onde nos abrigar e ter a coragem para continuar a trilhar nosso caminho, com chuva ou Sol.
  Somos seres humanos, em constante mudança; não devemos ser definidos por rótulos, seria raso demais considerando a profundeza do oceano que são as estradas da vida, que em algum momento, com a ajuda de nossas marcas, nos levará ao nosso lugar.

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