19 de maio, 2026 03:41

POR CADA AUSÊNCIA 

  O som da chuva é alto, mas parece ter um efeito sedativo em mim — cada pingo é uma lágrima de Deus, que só se salga quando sua pureza é impregnada com minhas mãos pecadoras. Não me lembro quando cada gota realmente passaram a pesar no telhado.
Assistindo as águas que caem rapidamente do céu, admiro a enxurrada que leva e lava a rua de baixo. Trovões estrondosos nos pegam desprevenidos, como se estivéssemos fazendo arte quando crianças.
Um leite com chocolate quente, uma coberta e um bom filme na sala de casa. O frio tem o próprio calor que esquenta nossa alma.
Ah, o quão belo é o jogo de palavras, que apesar de existirem na sonoridade, estas foram fabricadas na minha mente inquieta. Que ironia, não? Minha inquietude ser imaginando a paz.
Dizem que quando mais novo, meus sonhos eram motivo de outras crianças se maravilharem; cada noite era um conto diferente, cada manhã um livro era escrito.
Quanto mais eu envelhecia, mais eu não precisava dormir para sonhar. Eu era — e talvez ainda seja — um sonhador em tempo integral.
As expectativas eram gigantescas, independente da situação.
Conversando com os mais velhos, descobri que não era o único assim; a vida também já havia sido uma folha em branco para eles, só que em algum momento a tinta já não tinha mais cores. Para muitos isso não é um problema, bastava criar algo mais monocromático, mas isso era o fim do mundo para aqueles que tentavam ver o colorido.
A vida é uma constante lei de oferta e demanda, e como num capitalismo emocional, o ter tomou conta.
Queremos amores, banquetes e luxos.
Alguns me consideram uma pessoa extravagante, outras; simples.
Conversando com uma pessoa muito importante na minha vida, ela me disse que tudo em excesso é a ausência de alguma outra coisa que não nos foi permitida ter acesso, por quaisquer que sejam os motivos.
Poderíamos culpar o nosso signo astrológico, o pé que tocou o chão primeiro quando acordamos ou até mesmo a escada que passamos por baixo anos atrás, mas no final, todo excesso é a ausência de algo.
Pobres sonhos que sonhei, quisera eu, outrora, que fossem reais. Que eu ainda tivesse seus beijos em minha testa, pois a ironia é que quanto mais velhos ficamos, o vazio aumenta. Que ausência é capaz de criar excesso de vazio? Não tenho respostas e talvez jamais tenha.
Meus lamentos e comemorações seriam feitos para ser ovacionado?
Quiçá, algum dia, entenderão que escrever não é tão fácil quanto pensam. Não precisamos ser doutores ou ter algum feito especial para nos expressar, basta tentarmos, pois de passo em passo chegarem em algum lugar. Se terão mãos para te aplaudirem ou apontar, bocas para louvar ou vaiar e braços para te abraçar ou te segurar, não importa. Que seus caminhos sejam retos, que não desviem nem para a direita nem para a esquerda. Com o foco em frente e a ponderação em mente, certamente chegaremos em algum lugar real, pois o ideal é só isso, uma fabricação, expectativas geradas pela ausência de realidade.

Compartilhe esse artigo nas redes sociais

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Pinterest
Email

8ª Costela ao Fogo de Chão da APAE

Ao som contagiante de Marcos Paulo e Cande, aconteceu a 8ª Costela ao Fogo de Chão da APAE, um dos eventos mais esperados pela comunidade tupãense. Realizado na sede da APAE no dia 17/05/2026, a partir das 11h30, o encontro reuniu famílias, amigos e colaboradores em um verdadeiro momento de

MAIO ROXO

Um mês para conscientizar sobre as doenças autoimunes. Elas acontecem quando o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, passa a atacar o próprio organismo. Muitas vezes os sintomas começam silenciosos: E por trás disso pode existir uma doença que precisa de atenção, acolhimento e tratamento. Algumas das principais doenças

21 SALÃO DE BELAS ARTES ELIZA PÉRICO

21º Salão de Belas Artes de Tupã reúne cerca de 330 pessoas em noite marcada pela emoção, arte e transformação Cerca de 330 pessoas estiveram reunidas no hall de entrada do Grande Hotel Tamoios para a solenidade de abertura do 21º Salão de Belas Artes de Tupã, evento que mais

FEIJUCA DO GUINÉ

🔥 Vem aí mais uma tarde pra ficar na história! No dia 13 de junho, o clima é de festa, música boa e aquele sabor que a gente respeita 😏🍺 O Feijuca do Guiné chega com tudo no Célimo Buffet, reunindo gente boa, energia lá em cima e atrações que

Festival de Pipas dia 17 de maio

O Festival de Pipas 2026 já tem data marcada e promete colorir o céu de Tupã com muita diversão, criatividade e integração familiar. O evento será realizado no dia 17 de maio de 2026, das 8h às 12h, na Rua Faustino Danelitti, 350 – Jardim Itaipu. Promovido pelo Projeto Semeando

4º Desfile das Empregadas Domésticas

Paula Gonçalves resgata tradição e 4º Desfile das Empregadas Domésticas é marcado por grande sucessoNoite especial no Quinta com Arte celebrou reconhecimento, empoderamento feminino e valorização de profissionais essenciais às famílias tupãenses Após alguns anos de pausa, o tradicional Desfile das Empregadas Domésticas voltou em grande estilo na última quinta-feira