Tradição iniciada pela matriarca Jorgina atravessa gerações e será celebrada no dia 20 de setembro, em Tupã
Mais do que uma festa religiosa, a celebração de Cosme e Damião realizada pela família Chagas representa a preservação de uma história construída há mais de seis décadas. Uma tradição que atravessou gerações, foi mantida pelas mulheres da família e hoje continua pelas irmãs Juliana Chagas e Fernanda Chagas, no Centro Estrela D’Alva, em Tupã.
A celebração deste ano acontece no dia 20 de setembro, a partir das 15 horas, na Rua Iporã, nº 375, Centro, reunindo familiares, amigos, integrantes das religiões de matrizes africanas e a comunidade em torno de um momento de fé, cultura, ancestralidade e, principalmente, de homenagem às crianças.
A história dessa tradição começa com a avó Jorgina, responsável por iniciar na família o culto e a devoção a Cosme e Damião. Com o passar dos anos, a responsabilidade pela continuidade da celebração foi assumida por suas filhas, Neuza e Zenaide, ambas já falecidas, que mantiveram viva a tradição e transmitiram às novas gerações os ensinamentos, os valores e o significado daquele momento.
Hoje, cabe a Juliana Chagas e sua irmã Fernanda dar continuidade a esse legado familiar. Mais do que repetir uma festa que acontece todos os anos, elas preservam uma memória afetiva e religiosa que faz parte da história da família e também da cultura popular de Tupã.
Cosme e Damião: fé, infância e solidariedade
Cosme e Damião são tradicionalmente reconhecidos como irmãos gêmeos e santos ligados à prática da medicina e ao cuidado com as pessoas. Na tradição cristã, são conhecidos como São Cosme e São Damião, médicos que, segundo a tradição, dedicavam seus conhecimentos ao atendimento dos necessitados.
No Brasil, a devoção aos santos ganhou características próprias e passou a dialogar com diferentes manifestações culturais e religiosas. Nas religiões de matrizes africanas, a figura dos irmãos também está associada às crianças, à alegria, à proteção, à fartura e à renovação.
Por isso, as celebrações de Cosme e Damião costumam ser marcadas por cânticos, orações, louvores, comidas, doces e a participação das crianças, transformando o momento religioso também em uma grande manifestação de convivência comunitária.
Na tradição da família Chagas, essa dimensão ganha ainda mais força. O culto e o louvor são acompanhados pela festa dedicada às crianças, mantendo uma prática que une fé, carinho, memória, ancestralidade e transmissão de conhecimentos entre gerações.
Uma tradição que resiste ao tempo
São mais de seis décadas de uma história que poderia ter se perdido com o passar dos anos, mas que continua sendo preservada pela família.
A passagem da tradição de Jorgina para suas filhas Neuza e Zenaide, e posteriormente para Juliana e Fernanda, demonstra como as manifestações religiosas e culturais também são preservadas dentro das próprias famílias.
Cada geração acrescenta sua participação, mas mantém a essência da celebração: louvar, agradecer, pedir proteção e celebrar a vida das crianças.
É nesse contexto que o Centro Estrela D’Alva se torna também um espaço de preservação cultural. A casa mantém viva uma tradição de matriz africana que, ao longo dos anos, contribui para contar parte da história religiosa e cultural de Tupã.
A festa de Cosme e Damião, portanto, ultrapassa os limites de uma celebração religiosa. Ela representa ancestralidade, identidade, memória e resistência cultural, mostrando que tradições transmitidas de geração em geração continuam encontrando espaço no presente.
Um encontro de fé e cultura
No dia 20 de setembro, a partir das 15 horas, a Rua Iporã será novamente palco dessa tradição familiar.
Para Juliana e Fernanda, continuar a festa significa também manter viva a lembrança de Jorgina, Neuza e Zenaide, mulheres que ajudaram a construir essa história e deixaram como herança não apenas uma celebração, mas um legado de fé.
Mais de 60 anos depois, Cosme e Damião continuam reunindo pessoas, especialmente as crianças, em torno de uma mensagem que permanece atual: celebrar a vida, compartilhar, cuidar e manter viva a memória daqueles que vieram antes.
No Centro Estrela D’Alva, a tradição segue.
Porque quando uma família preserva sua fé e sua memória, ela também preserva parte da história e da cultura de uma comunidade.






