A Umbanda em Tupã mantém suas raízes vivas e resistentes, sustentadas por um legado de fé que atravessa gerações. Essa história começou com Dona Jorgina Chagas, personalidade respeitada em Tupã, na região e até mesmo em nível estadual. Conhecida por sua sabedoria espiritual, era consultada por políticos e empresários antes de importantes decisões.
O caminho espiritual seguiu com Zenaide Chagas Garcia e Neuza Chagas, ambas já em memória, mas que deixaram a semente da religiosidade que hoje floresce através de Mãe Júliana de Oxum, herdeira desse legado.
Como resultado de tanta devoção, a tradicional Festa de Cosme e Damião chega perto de completar seis décadas, reunindo fé, amor e gratidão pelas graças alcançadas. O evento é aberto à comunidade e promete momentos de espiritualidade, partilha e celebração da fé.
Cosme e Damião são figuras muito conhecidas no Brasil tanto no catolicismo popular quanto nas religiões de matriz africana, e o sincretismo em torno deles é um dos mais fortes exemplos de como a fé se mesclou historicamente.
✨ No Catolicismo:
São Cosme e São Damião foram dois irmãos gêmeos, médicos que viveram na Síria no século III.
Conhecidos como “anárgiros” (os que não cobravam pelos seus serviços), atendiam os pobres gratuitamente.
Foram perseguidos e martirizados durante as perseguições romanas aos cristãos.
A Igreja Católica os canonizou, e sua festa litúrgica é celebrada em 26 de setembro.
✨ No Brasil e no Sincretismo:
Durante o período da escravidão, os negros africanos eram obrigados a adotar o catolicismo. Para preservar seus cultos, passaram a sincretizar seus orixás com santos católicos.
Cosme e Damião foram associados principalmente aos Ibeji, divindades gêmeas da infância no candomblé e na umbanda.
Essa ligação se deu porque ambos representam a alegria, a pureza, a inocência e a proteção das crianças.
Além disso, como Cosme e Damião eram irmãos e médicos, cuidadores do corpo, a associação com os orixás infantis ganhou força.











